sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Quando o céu abriu

O céu cinza, monocromático, fazia Daniela sentir-se numa prisão, não dava para discernir as nuvens no céu que naquela manhã estava parecendo mais uma tela cinza-clara. Como se o universo inteiro acabasse até onde ela podia ver. Fechou as cortinas antes que entrasse em desespero. Alguma coisa estava martelando no fundo da sua cabeça e fazendo seu estômago embrulhar, uma angústia que não a deixava estudar.

-Tá na mesa! - Gritou Maria da cozinha

Que não a deixava comer.

Daniela tomou coragem e foi para a cozinha, sentou na cadeira e deu uma garfada, levando a boca uma porção razoável de arroz, feijão e qualquer coisa. Mastigou, engoliu, tomou um bom gole de água. Já se sentia satisfeita, ou melhor, cheia. Estava cheia de alguma coisa que não conseguia identificar. Logo seu celular começa a tocar, acabara de receber uma mensagem, era de Arthur. Estava cheia de Arthur.
Apesar de seu coração ainda palpitar quando lia seu nome na tela do celular, ou em qualquer outra tela, ou em qualquer lugar, ou até nos seus sonhos, onde o nome dele surgia em portas de lojas na rua, nos dentes de um cara sorridente, na areia de uma praia qualquer...dessa vez te trouxe angústia junto da resposta do que a estava angustiando.
Nem leu a mensagem, mas ligou para ele imediatamente
- Oi, Dani
- Oi.. preciso falar uma coisa
- O que? diga. - sua voz primeiramente apreensiva e logo tomando um tom de segurança, compreensão, paciência.
- Olha, eu sei que você nao quer nada comigo, a gente não vai nem pra frente nem pra trás, eu gosto de você mas isso não ta me acrescentando em nada. Então acho melhor a gente colocar um fim logo em tudo e passar bem.
- Entendi...
Enquanto Arthur formava uma resposta qualquer que parecia de alguém que se conformava com a situação e levava numa boa apenas com o pedido de que fossem amigos, Daniela sentia-se cada vez melhor, como se tivesse vomitado quase tudo que estava apertando seu coração contra a garganta, o resto agora estava saindo pelos olhos.
- Também gosto de você. beijos
Sentiu-se tão dona de si, tão confiante, nunca julgou-se capaz de se colocar em palavras tão firmes para um homem, apesar de ser uma menina tão forte.E dessa vez ela viu que chorar não é sinal de fraqueza, às vezes pode ser de felicidade, de alívio.
Um apetite tremendo fez seu estômago roncar e entre lágrimas incessantes ela comeu toda a comida no prato. Andou pela cozinha, atravessando a casa em direção a seu quarto e como de costume abriu as cortinas, sendo surpreendida por um céu claro, azul-anil ornado com grande e felpudas nuvens brancas, sentindo como se pudesse ver todo o universo a olho nu. Novas possibilidades...
Deitou, dormiu pela primeira vez em muito tempo e sonhou com a areia da praia e dessa vez nao tinha nada escrito.


obs.: arthur era muito legal

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

só uma reflexão mal escrita






Pais amam tão louca e incondicionalmente seus filhos que eles nunca podem ser os culpados por alguma coisa. Quando eles se fodem e estragam suas vidas sempre é por causa de algum fator externo. Más influências, algum hábito em particular, culpam pequenos detalhes que acabam virando causa de problemas enormes dentro das cabeças desses progenitores aflitos. Se você vai mal no colégio é porque "não sai da porra do computador" ou então porque nao pára de andar de skate o dia inteiro, se você teve uma overdose de cocaína é porque foi criado numa sociedade em que o acesso a drogas pra qualquer um é ridículo ou porque está andando com um grupo que é má influência. O que os papais e mamães orgulhosos esquecem é que esse grupo de "más inluências" também têm pais, e eu aposto que os pais dessas pessoas também acham que seus filhos foram arrastados contra a vontade pelo mal caminho. Afinal como poderia seu(ua) filho(a), aquele que um dia você pegou no colo, trocou as fraldas, no qual deu banho e botou pra dormir cerca de 13 ou 14 anos depois (fazendo uma média, claro) pôde fazer TANTA MERDA?!
Toda essa ilusão, que é ao mesmo tempo paradoxalmente voluntária e inconsciente (como muitas outras coisas que o ser humano faz), só existe para que papais e mamães preocupados não tropecem na pergunta que é inevitável: "Aonde foi que eu errei?".

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Pés Solitários


É incrível. Você olha pro chão, olha pros seus próprios pés, e observa eles sobre o concreto, e intercalados com eles um par de pés um tanto quanto bonitos e agradáveis. Então você se distrai por um segundo, pode ter apenas piscado, e você tá caindo do abismo, não tem mais nada sob seus pés e o outro par de pés simplesmente se mandou.

É bom dar bastante valor para pés alheios e tomar bastante cuidado com eles enquanto ainda estão tão perto de você, se bem que mesmo assim alguns pés são bipolares.

OBS.: odeio pés bipolares...