terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Daniela em Situações de Tentação #1


O pedido estava implícito, porém tão vivo quanto se tivesse sido gritado e exigido de mim. O mínimo desejo por ele teria que ser assassinado antes mesmo de germinar.
O simples fato de eles terem terminado aumenta a tentação. "Ele é completamente proibido", pensei. De repente, com esse pensamento, suas espinhas sumiram, seus braços cresceram e sua voz ficou menos irritante. Sua expressão de malandro não podia ficar melhor: Os olhos naturalmente semicerrados e o meio sorriso, o andar cheio de molejo.
O fato de ele estar pegando meu queixo com uma mão e me puxando pra perto com a outra definitivamente não ajuda.
- Sai, Léo !
Sua risada soa livremente entre os dentes brancos.
Ele pára um transeunte aleatório e pergunta se este tem maconha para seu papel de seda solitário. Resposta negativa. Então volta seus olhos naturalmente sonolentos para mim, sorrindo.
- Como tá a Paula ?
Citar o nome dela só ajudou a retomar a já integral certeza de que nada ia acontecer.
Minha lealdade infinita me faz, naturalmente, tentar fazer com que ele sofra por não ter mais minha melhor amiga, minha irmã, o outro pedaço de mim.
- Tá bem, tá ótima! – Estou tensa e rija.
- Ela tava com o meu amigo.
- Eu sei, o Marcos. Ainda está!
Vejo seu olhar triste, nostálgico. Não era difícil imaginar o que ele estava pensando. "Não tenho mais nada pra fazer aqui", penso. Então viro as costas e ando para longe, me perdendo na confusão de luzes, música e pessoas. Deixando-o sozinho com seus dentes brancos e seu papel de seda sem maconha.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

D de Daniela, D de desejo

E quando ela chegou acabada em casa tirou toda a roupa e deitou em sua cama. Sua irmã mais mal ainda dormindo (ou melhor, desmaiada) na cama ao lado. Ligou o ar condicionado barulhento para sumir com aquele calor e assim sentiu o frio beijar todo o seu corpo banhado por desejo e ferormonios.. ah,e suor...

Cheia de desejo não saciado - Daniela seria pra sempre assim, cheia de desejos que as regras não a deixavam satisfazer. Mas enquanto isso ela ia vivendo, tirando a maquiagem e o suor do rosto, lavando a alma que jamais seria limpa, deitando o corpo sem sono na cama, revivendo as memórias das paixões bobas passadas, prevendo o futuro das paixões presentes, levando a vida como qualquer menina que quer experimentar o mundo inteiro num gole só - sem culpa.
Então ela adormeceu o corpo exaurido, sem adormecer os desejos crescentes, esses jamais dormiriam.

OBS.: Os desejos de Daniela eram cheios de potencial

Borboletas no estômago


Sinto todas essas coisas presas em mim. No fundo do meu peito, se sacudindo e fazendo meu estômago embrulhar. De algum jeito eu tento expulsá-las, escrevendo, interpretando, ouvindo músicas pesadas, furando meu corpo sem anestesia. Nem com tantos recursos eu consigo. Parecem infinitos os sentimentos, as sensações. Olho pra dentro e não consigo vê-las, estendo minha mão e não consigo tocá-las. Como posso arrancá-las de mim se não posso vê-las ou tocá-las?
Imaginação também funciona muito bem. Me imagino quebrando copos com as mãos, que ficam ensangüentadas depois. Observando a chuva pela minha janela me vejo voando, pulando pra fora, direto com a cabeça no chão. Quase ouço os ossos se partindo e o sangue é escuro na minha fantasia. No espaço da minha mente eu beijo quem eu quiser e na hora é bom. Ao fim de uma música pesada eu posso até ter expulsado algumas gramas (como medir isso ?) de mim. Mas ao fim da música, da fantasia, da cicatrização, o vazio volta e os sentimentos ainda estão lá, e são borboletas no meu estômago.

Pelo remédio que é escrever.

Apenas um texto de introdução.


Tem que ser muito forte pra escrever sobre os próprios sentimentos. Entrar em contato com toda essa bagunça pode ser sufocante, dependendo da intensidade pode ser desesperador ou até te colocar em depressão.
Porém, se a pessoa conseguir sobreviver ao desafio, a experiência pode ser muito libertadora. Escrever é como terapia se você se colocar no texto, e um escritor sempre acaba se colocando no seu texto, o contrário é muito difícil. Então a partir do momento em que você escreve, é um desabafo.
Meu conselho: Mesmo se você não for um escritor, se tudo que você escreve são palavras-cruzadas ou a lista de compras, não tem problema! Escreva! Escreva sobre si mesmo, escreva uma carta mesmo que ela nao seja enviada, invente histórias, bote no papel o que você sente... Não é preciso mostrar pra ninguém se não quiser. Eles são seus, vieram de você e ninguém pode lhe tomar isso.