
Sinto todas essas coisas presas em mim. No fundo do meu peito, se sacudindo e fazendo meu estômago embrulhar. De algum jeito eu tento expulsá-las, escrevendo, interpretando, ouvindo músicas pesadas, furando meu corpo sem anestesia. Nem com tantos recursos eu consigo. Parecem infinitos os sentimentos, as sensações. Olho pra dentro e não consigo vê-las, estendo minha mão e não consigo tocá-las. Como posso arrancá-las de mim se não posso vê-las ou tocá-las?
Imaginação também funciona muito bem. Me imagino quebrando copos com as mãos, que ficam ensangüentadas depois. Observando a chuva pela minha janela me vejo voando, pulando pra fora, direto com a cabeça no chão. Quase ouço os ossos se partindo e o sangue é escuro na minha fantasia. No espaço da minha mente eu beijo quem eu quiser e na hora é bom. Ao fim de uma música pesada eu posso até ter expulsado algumas gramas (como medir isso ?) de mim. Mas ao fim da música, da fantasia, da cicatrização, o vazio volta e os sentimentos ainda estão lá, e são borboletas no meu estômago.

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