quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

-Daniela, pare de se achar superior a todo mundo
-Tá..-tolinha, um dia você vai ver que eu realmente sou

e mais uma vez os seres humanos acham que palavras vão mudar a realidade..

Camila pegou Bárbara pelos braços, já pequenos e frágeis, mas agora mais finos do que nunca e com pequenas marcas roxas na parte oposta ao cotovelo.
- OLHA O QUE VOCÊ ESTÁ FAZENDO CONSIGO MESMA!! OLHA PRA VOCÊ!
Ela só estava gritando o que ela mesma estava vendo, querendo passar para Bárbara o que os outros estavam vendo, quem sabe se ela soubesse pararia com toda essa palhaçada.
- PÁRA COM ISSO, PELO AMOR DE DEUS, VOCÊ TEM UMA FAMÍLIA, VOCÊ TEM UMA VIDA, VAI ESTRAGAR TUDO POR CAUSA DISSO?!
Uma de suas mãos largou o braço que já era pele e osso deixando marcas vermelhas de dedos, para apontar para "aquilo", que era o objeto de ódio que todos que rodeavam Bárbara nos últimos tempos.. apenas um ano havia se passado e olha só as dimensões que a situação já havia tomado.
Camila viu que só gritava sem olhar verdadeiramente para sua amiga, bem ali na sua frente e parou para dar uma boa olhada. Nada, não viu nada, olhou nos seus olhos e viu duas pupilas bem dilatadas, em meio a olhos castanhos, viu um nariz com sangue escorrendo, nenhuma expressão, Camila teve a impressão de que se a largasse ali mesmo ela cairia, sem vida, sem nada, ela tinha tanta vida agora quanto o pó largado ali na mesa de vidro...

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

parei de respirar

No desespero a gente faz coisas idiotas, eu sempre fui inclinada a desistencia, e cá estou eu agora, no caminho entre a desistencia e o tentar consertar, esse é o lugar mais desagradável em que já estive, onde eu estou não sei de nada, não vivo, meu metabolismo congelou e meu cérebro está esgotado de possíveis soluções, tudo que restou é sono e um instinto quase incontrolável que me leva a querer sua companhia e me ponho a ligar pra pessoa mais importante na minha vida nos ultimos tempos.
No desespero resolvi parar de respirar, e que escolha burra a minha! porque sem ar, quem consegue viver? e cá estou eu, numa pausa que parece infinita, em um sono acordado, esperando o príncipe de ébano vir me tirar da fresta nessa dimensão, onde o tempo não passa e as coisas parecem continuar as mesmas. eu sei que nao se passou nem um dia inteiro, mas já parecem dias, e dias incontáveis quando não consigo ouvir sua voz, ter conhecimento do que está acontecendo, de como você está. por causa da minha impulsividade ingenua e ignorante você provavelmente sofre agora e não me espanto em presumir que coragem lhe falta para vir resgatar o que eu sei que você quer. eu.
Coragem não me falta, e se soubesse aonde voce está agora já estava a meio passo daí, pronta a me colocar aos seus pés e alegar insanidade temporária, podendo então me libertar dessa prisão onde o tempo não passa e pagar minha pena, seja qual for. Espero que você ouça o choro e o grito dessas palavras escritas, porque esses dois eu infelizmente não posso escrever, embora gostaria muito de fazê-lo.

obs.: eu quero passar pra parte de tentar consertar

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Não adianta mentir, princesa, a gente sabe que a esperança é a ultima que morre
Não adianta chorar, princesa, nosso ombro vai calar sua dor
Não adianta lamentar, quem diria que olhos tão doces e cheios de amor não são tão profundos!
O ciclo da vida é assim, não se pode explicar

Não adianta mentir, princesa, eu sei que o ódio transborda de ti
Não adianta esconder, a tristeza nos seus olhos eu conheço bem
Não adianta desespero, porque mesmo se preparando é sempre um baque
Pra quê isso tudo se você nasceu pra vencer?

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Catrina

Ela é tipo um furacão de sentimentos, ela tá sempre na borda da linha, tênue, entre o incrivelmente feliz - o extase - e o fundo do poço, a depressão, o ódio ou até o desprezo por tudo.
Como um furacão ela vai consumindo tudo ao seu redor, puxando para o centro do seu caos aqueles que a rodiarem, quem ela bem entender. Faz a cabeça, dá a vida por você e faz você querer dar a sua por ela, faz querer dar o mundo, faz querer juntar os pedaços que vê caindo, se partindo, no meio dessa ventania; você tem que ser intenso pra aguentar, tem que ser intenso para ela se interessar, se não ela pode te largar tão rápido quanto estala os dedos. E de puro amor e devoção você vira o mesmo que absolutamente nada. Não adianta pedir justificativas, todas vão parecer implausíveis.
No meio de tantos sentimentos não dá tempo nem dela saber quem é, só continua girando, beijando o céu ao mesmo tempo que toca a terra, com a certeza de que há pessoas que dariam tudo para ter um toque de cor em sua vida que tenha sido feito por esse furacão colorido.

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Desculpe

Desculpe a minha frieza, desculpa por não mostrar o quanto eu te queria, desculpa pelas vezes em que eu te deixei dormindo, desculpa pelas vezes em que eu ignorei seus desejos, desculpa pelas vezes em que eu fingi não te querer, desculpe por não conseguir olhar nos seus olhos, profundos demais, desculpe por recusar seus convites, mesmo que esses fossem silenciosos, desculpe por não saber amar, por deixar meu passado gelar meu coração de modo que nao prestasse mais.

(texto velho)

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Caso ainda tenha duvidas

Você ainda tem duvidas disso? Sim, eu te amo, te amo tanto que meus olhos enchem de lágrimas só de pensar, amo até cada um dos seus defeitos, porque são seus, amo seu jeitinho gay de fazer cu doce e sua tristeza é corrosiva pras minhas células, pro meu coração. te amo de um jeito que nunca pensei que fosse amar, te amo ao ponto de não ligar se foi rápido ou se não vai durar. só de pensar em você meu coração fica quente e eu fico sem defesas porque eu vi que não vale a pena ter defesas no amor, não quando é de verdade.

segunda-feira, 5 de abril de 2010

segunda-feira, 22 de março de 2010

Eme

M de Marloy, M de morte, M de mãe neorotica, M de mente, M de metástase, M de maligno, M de médico, M de milagre, M de medo mortal, M de muita merda na minha mente agora.

quinta-feira, 4 de março de 2010

RUN, LOLA, RUN

Sobre Lola, a menina que não amava ninguém



Os cabelos cor de rubi eram esvoaçados pelo vento, enquanto as pernas finas e brancas de Lola se colocavam uma na frente da outra consecutivamente num ritmo alucinante. Os tênis laranjas batiam no asfalto, um de cada vez, e ficavam suspensos por alguns milésimos entre um passo e outro.
Em apenas três minutos de corrida ela cruzara três quarteirões e estava parada em frente a seu colégio. O sino bateu, ela entrou.

Lola corria porque esse era seu prazer, inconscientemente ela se atrasava para seus compromissos para ter que correr, porque gostava de viver para o desafio, viver no limite, na busca de um amor, queria congelar pra sempre aquele momento onde estamos entre perder ou ganhar tudo, mas esses momentos são raros, curtos e por isso Lola corria, assim como a adrenalina em suas veias, para aproveitar ao máximo o incerto, o que parece inconquistável, o lugar aonde ela nunca chegava, não importa o quanto corresse, aquele ponto inalcançável da utopia.
O que era contemplado por seus olhos às vezes castanhos, às vezes esverdeados, era inconstante assim como a cor das janelas da sua alma, que perdiam a nuance esmeralda quando o seu objeto de desejo parecia muito fácil de se conseguir. Já quando seu alvo parecia inatingível a sede de Lola parecia aumentar e principalmente quando se tratava de seus amores essa paixão pela utopia parecia se manifestar com mais fervor.
Constantemente a menina era chamada de ingrata e como a carapuça servia, isso a ofendia muito, as coisas que caíam em seu colo pareciam não ter graça alguma, mas era só colocar na situação mais difícil do mundo que Lola corria e colocava à prova todo o seu esforço.
Foi assim com Carlos...


continua

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Quando o céu abriu

O céu cinza, monocromático, fazia Daniela sentir-se numa prisão, não dava para discernir as nuvens no céu que naquela manhã estava parecendo mais uma tela cinza-clara. Como se o universo inteiro acabasse até onde ela podia ver. Fechou as cortinas antes que entrasse em desespero. Alguma coisa estava martelando no fundo da sua cabeça e fazendo seu estômago embrulhar, uma angústia que não a deixava estudar.

-Tá na mesa! - Gritou Maria da cozinha

Que não a deixava comer.

Daniela tomou coragem e foi para a cozinha, sentou na cadeira e deu uma garfada, levando a boca uma porção razoável de arroz, feijão e qualquer coisa. Mastigou, engoliu, tomou um bom gole de água. Já se sentia satisfeita, ou melhor, cheia. Estava cheia de alguma coisa que não conseguia identificar. Logo seu celular começa a tocar, acabara de receber uma mensagem, era de Arthur. Estava cheia de Arthur.
Apesar de seu coração ainda palpitar quando lia seu nome na tela do celular, ou em qualquer outra tela, ou em qualquer lugar, ou até nos seus sonhos, onde o nome dele surgia em portas de lojas na rua, nos dentes de um cara sorridente, na areia de uma praia qualquer...dessa vez te trouxe angústia junto da resposta do que a estava angustiando.
Nem leu a mensagem, mas ligou para ele imediatamente
- Oi, Dani
- Oi.. preciso falar uma coisa
- O que? diga. - sua voz primeiramente apreensiva e logo tomando um tom de segurança, compreensão, paciência.
- Olha, eu sei que você nao quer nada comigo, a gente não vai nem pra frente nem pra trás, eu gosto de você mas isso não ta me acrescentando em nada. Então acho melhor a gente colocar um fim logo em tudo e passar bem.
- Entendi...
Enquanto Arthur formava uma resposta qualquer que parecia de alguém que se conformava com a situação e levava numa boa apenas com o pedido de que fossem amigos, Daniela sentia-se cada vez melhor, como se tivesse vomitado quase tudo que estava apertando seu coração contra a garganta, o resto agora estava saindo pelos olhos.
- Também gosto de você. beijos
Sentiu-se tão dona de si, tão confiante, nunca julgou-se capaz de se colocar em palavras tão firmes para um homem, apesar de ser uma menina tão forte.E dessa vez ela viu que chorar não é sinal de fraqueza, às vezes pode ser de felicidade, de alívio.
Um apetite tremendo fez seu estômago roncar e entre lágrimas incessantes ela comeu toda a comida no prato. Andou pela cozinha, atravessando a casa em direção a seu quarto e como de costume abriu as cortinas, sendo surpreendida por um céu claro, azul-anil ornado com grande e felpudas nuvens brancas, sentindo como se pudesse ver todo o universo a olho nu. Novas possibilidades...
Deitou, dormiu pela primeira vez em muito tempo e sonhou com a areia da praia e dessa vez nao tinha nada escrito.


obs.: arthur era muito legal

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

só uma reflexão mal escrita






Pais amam tão louca e incondicionalmente seus filhos que eles nunca podem ser os culpados por alguma coisa. Quando eles se fodem e estragam suas vidas sempre é por causa de algum fator externo. Más influências, algum hábito em particular, culpam pequenos detalhes que acabam virando causa de problemas enormes dentro das cabeças desses progenitores aflitos. Se você vai mal no colégio é porque "não sai da porra do computador" ou então porque nao pára de andar de skate o dia inteiro, se você teve uma overdose de cocaína é porque foi criado numa sociedade em que o acesso a drogas pra qualquer um é ridículo ou porque está andando com um grupo que é má influência. O que os papais e mamães orgulhosos esquecem é que esse grupo de "más inluências" também têm pais, e eu aposto que os pais dessas pessoas também acham que seus filhos foram arrastados contra a vontade pelo mal caminho. Afinal como poderia seu(ua) filho(a), aquele que um dia você pegou no colo, trocou as fraldas, no qual deu banho e botou pra dormir cerca de 13 ou 14 anos depois (fazendo uma média, claro) pôde fazer TANTA MERDA?!
Toda essa ilusão, que é ao mesmo tempo paradoxalmente voluntária e inconsciente (como muitas outras coisas que o ser humano faz), só existe para que papais e mamães preocupados não tropecem na pergunta que é inevitável: "Aonde foi que eu errei?".

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Pés Solitários


É incrível. Você olha pro chão, olha pros seus próprios pés, e observa eles sobre o concreto, e intercalados com eles um par de pés um tanto quanto bonitos e agradáveis. Então você se distrai por um segundo, pode ter apenas piscado, e você tá caindo do abismo, não tem mais nada sob seus pés e o outro par de pés simplesmente se mandou.

É bom dar bastante valor para pés alheios e tomar bastante cuidado com eles enquanto ainda estão tão perto de você, se bem que mesmo assim alguns pés são bipolares.

OBS.: odeio pés bipolares...

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Daniela em Situações de Tentação #1


O pedido estava implícito, porém tão vivo quanto se tivesse sido gritado e exigido de mim. O mínimo desejo por ele teria que ser assassinado antes mesmo de germinar.
O simples fato de eles terem terminado aumenta a tentação. "Ele é completamente proibido", pensei. De repente, com esse pensamento, suas espinhas sumiram, seus braços cresceram e sua voz ficou menos irritante. Sua expressão de malandro não podia ficar melhor: Os olhos naturalmente semicerrados e o meio sorriso, o andar cheio de molejo.
O fato de ele estar pegando meu queixo com uma mão e me puxando pra perto com a outra definitivamente não ajuda.
- Sai, Léo !
Sua risada soa livremente entre os dentes brancos.
Ele pára um transeunte aleatório e pergunta se este tem maconha para seu papel de seda solitário. Resposta negativa. Então volta seus olhos naturalmente sonolentos para mim, sorrindo.
- Como tá a Paula ?
Citar o nome dela só ajudou a retomar a já integral certeza de que nada ia acontecer.
Minha lealdade infinita me faz, naturalmente, tentar fazer com que ele sofra por não ter mais minha melhor amiga, minha irmã, o outro pedaço de mim.
- Tá bem, tá ótima! – Estou tensa e rija.
- Ela tava com o meu amigo.
- Eu sei, o Marcos. Ainda está!
Vejo seu olhar triste, nostálgico. Não era difícil imaginar o que ele estava pensando. "Não tenho mais nada pra fazer aqui", penso. Então viro as costas e ando para longe, me perdendo na confusão de luzes, música e pessoas. Deixando-o sozinho com seus dentes brancos e seu papel de seda sem maconha.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

D de Daniela, D de desejo

E quando ela chegou acabada em casa tirou toda a roupa e deitou em sua cama. Sua irmã mais mal ainda dormindo (ou melhor, desmaiada) na cama ao lado. Ligou o ar condicionado barulhento para sumir com aquele calor e assim sentiu o frio beijar todo o seu corpo banhado por desejo e ferormonios.. ah,e suor...

Cheia de desejo não saciado - Daniela seria pra sempre assim, cheia de desejos que as regras não a deixavam satisfazer. Mas enquanto isso ela ia vivendo, tirando a maquiagem e o suor do rosto, lavando a alma que jamais seria limpa, deitando o corpo sem sono na cama, revivendo as memórias das paixões bobas passadas, prevendo o futuro das paixões presentes, levando a vida como qualquer menina que quer experimentar o mundo inteiro num gole só - sem culpa.
Então ela adormeceu o corpo exaurido, sem adormecer os desejos crescentes, esses jamais dormiriam.

OBS.: Os desejos de Daniela eram cheios de potencial

Borboletas no estômago


Sinto todas essas coisas presas em mim. No fundo do meu peito, se sacudindo e fazendo meu estômago embrulhar. De algum jeito eu tento expulsá-las, escrevendo, interpretando, ouvindo músicas pesadas, furando meu corpo sem anestesia. Nem com tantos recursos eu consigo. Parecem infinitos os sentimentos, as sensações. Olho pra dentro e não consigo vê-las, estendo minha mão e não consigo tocá-las. Como posso arrancá-las de mim se não posso vê-las ou tocá-las?
Imaginação também funciona muito bem. Me imagino quebrando copos com as mãos, que ficam ensangüentadas depois. Observando a chuva pela minha janela me vejo voando, pulando pra fora, direto com a cabeça no chão. Quase ouço os ossos se partindo e o sangue é escuro na minha fantasia. No espaço da minha mente eu beijo quem eu quiser e na hora é bom. Ao fim de uma música pesada eu posso até ter expulsado algumas gramas (como medir isso ?) de mim. Mas ao fim da música, da fantasia, da cicatrização, o vazio volta e os sentimentos ainda estão lá, e são borboletas no meu estômago.

Pelo remédio que é escrever.

Apenas um texto de introdução.


Tem que ser muito forte pra escrever sobre os próprios sentimentos. Entrar em contato com toda essa bagunça pode ser sufocante, dependendo da intensidade pode ser desesperador ou até te colocar em depressão.
Porém, se a pessoa conseguir sobreviver ao desafio, a experiência pode ser muito libertadora. Escrever é como terapia se você se colocar no texto, e um escritor sempre acaba se colocando no seu texto, o contrário é muito difícil. Então a partir do momento em que você escreve, é um desabafo.
Meu conselho: Mesmo se você não for um escritor, se tudo que você escreve são palavras-cruzadas ou a lista de compras, não tem problema! Escreva! Escreva sobre si mesmo, escreva uma carta mesmo que ela nao seja enviada, invente histórias, bote no papel o que você sente... Não é preciso mostrar pra ninguém se não quiser. Eles são seus, vieram de você e ninguém pode lhe tomar isso.