quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

e mais uma vez os seres humanos acham que palavras vão mudar a realidade..

Camila pegou Bárbara pelos braços, já pequenos e frágeis, mas agora mais finos do que nunca e com pequenas marcas roxas na parte oposta ao cotovelo.
- OLHA O QUE VOCÊ ESTÁ FAZENDO CONSIGO MESMA!! OLHA PRA VOCÊ!
Ela só estava gritando o que ela mesma estava vendo, querendo passar para Bárbara o que os outros estavam vendo, quem sabe se ela soubesse pararia com toda essa palhaçada.
- PÁRA COM ISSO, PELO AMOR DE DEUS, VOCÊ TEM UMA FAMÍLIA, VOCÊ TEM UMA VIDA, VAI ESTRAGAR TUDO POR CAUSA DISSO?!
Uma de suas mãos largou o braço que já era pele e osso deixando marcas vermelhas de dedos, para apontar para "aquilo", que era o objeto de ódio que todos que rodeavam Bárbara nos últimos tempos.. apenas um ano havia se passado e olha só as dimensões que a situação já havia tomado.
Camila viu que só gritava sem olhar verdadeiramente para sua amiga, bem ali na sua frente e parou para dar uma boa olhada. Nada, não viu nada, olhou nos seus olhos e viu duas pupilas bem dilatadas, em meio a olhos castanhos, viu um nariz com sangue escorrendo, nenhuma expressão, Camila teve a impressão de que se a largasse ali mesmo ela cairia, sem vida, sem nada, ela tinha tanta vida agora quanto o pó largado ali na mesa de vidro...

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