quinta-feira, 4 de março de 2010

RUN, LOLA, RUN

Sobre Lola, a menina que não amava ninguém



Os cabelos cor de rubi eram esvoaçados pelo vento, enquanto as pernas finas e brancas de Lola se colocavam uma na frente da outra consecutivamente num ritmo alucinante. Os tênis laranjas batiam no asfalto, um de cada vez, e ficavam suspensos por alguns milésimos entre um passo e outro.
Em apenas três minutos de corrida ela cruzara três quarteirões e estava parada em frente a seu colégio. O sino bateu, ela entrou.

Lola corria porque esse era seu prazer, inconscientemente ela se atrasava para seus compromissos para ter que correr, porque gostava de viver para o desafio, viver no limite, na busca de um amor, queria congelar pra sempre aquele momento onde estamos entre perder ou ganhar tudo, mas esses momentos são raros, curtos e por isso Lola corria, assim como a adrenalina em suas veias, para aproveitar ao máximo o incerto, o que parece inconquistável, o lugar aonde ela nunca chegava, não importa o quanto corresse, aquele ponto inalcançável da utopia.
O que era contemplado por seus olhos às vezes castanhos, às vezes esverdeados, era inconstante assim como a cor das janelas da sua alma, que perdiam a nuance esmeralda quando o seu objeto de desejo parecia muito fácil de se conseguir. Já quando seu alvo parecia inatingível a sede de Lola parecia aumentar e principalmente quando se tratava de seus amores essa paixão pela utopia parecia se manifestar com mais fervor.
Constantemente a menina era chamada de ingrata e como a carapuça servia, isso a ofendia muito, as coisas que caíam em seu colo pareciam não ter graça alguma, mas era só colocar na situação mais difícil do mundo que Lola corria e colocava à prova todo o seu esforço.
Foi assim com Carlos...


continua

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